Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento

DESASTRES AMBIENTAIS

 

As transformações ambientais e os fenômenos naturais são partes da evolução natural do planeta, sempre teremos enchentes, deslizamentos de terras e tantos outros desastres naturais. Precisamos é de políticas públicas e vontade política de nossos governantes em proteger a população em face desses desastres. Esses efeitos são naturais, mas a omissão governamental é que os tornam desastrosos.

Os desastres ambientais que por hora assolam o nosso país é fruto do descaso com que o governo tem tratado o meio ambiente, faltam políticas públicas de uso e ocupação do solo urbano, identificação e monitoramento de áreas de vulnerabilidade natural e total desconhecimento do meio físico no planejamento urbano. Absurdamente não conhecemos o comportamento geotécnico onde edificamos nossas casas.

Catástrofes como as que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, onde centenas de vidas foram ceifadas, bem como as enchentes sabidamente recorrentes que acontecem na Cidade de Goiás- GO, são previstas e podem ser evitados seus impactos. Não podemos ficar a mercê da falta de gerenciamento dos governantes na questão ambiental, falta vontade política. Apenas nesses momentos que ocorrem tais tragédias é que nos lembramos da força da natureza, mas esquecemos que como somos parte integrante da mesma devemos respeitá-la e isso se faz diariamente com medidas simples como não jogar lixo no chão, não ocupar as encostas e planície de inundação, não desmatar as matas ciliares, não deixar prosperar moradias irregulares, não poluir nossas águas, etc. Se agirmos conscientemente de nossas responsabilidades com a preservação ambiental,  preventivamente estaremos nos protegendo desses desastres.

As enchentes sempre irão acontecer, sabemos disso e isso é bom para o sistema fluvial, vista que faz parte de sua dinâmica, o que não podemos admitir são as catástrofes que vitimam as pessoas e que podem ser evitadas.

É imprescindível o conhecimento do ambiente abiótico onde se desencadeia todas nossas atividades humanas, para citar uma delas, nossa moradia. Quando falamos da falta de conhecimento do local onde edificamos nossas casas, não podemos ser cegos e acreditar que não estejamos conectados a um conjunto de relações complexas que se desenvolve em nível de bacia hidrográfica. No mínimo, termos conhecimento que nossas relações são estabelecidas em uma micro - bacia, local que está “vivo”, que pulsa,  e é alimentado através de entrada de energia e matéria como, por exemplo, a entrada de águas pelas precipitações (chuvas) em um processo natural que é potencializado pelas ações antropicas.

Os desastres geológicos ambientais somente serão evitados quando houver a produção de conhecimentos técnicos, capazes de identificar, compreender, monitorar e orientar quanto aos processos de uso e ocupação do solo urbano e o seu necessário gerenciamento nas políticas governamentais.

Sabemos como funciona o sistema natural, tristemente também conhecemos seus efeitos. Cabe-nos, de  agora em diante, lutar para que fenômenos naturais como os que estão acontecendo mundialmente passem a existir apenas como fenômenos naturais,  que realmente são, e não como geradores de catástrofes ambientais. O meio ambiente nos cobra diante das atividades humanas que o degradam, e o preço é as nossas vidas. Não devemos creditar isso somente ao efeito global de mudanças climáticas, eximindo- se das responsabilidades, seria transferir os problemas locais para âmbito global, que não teria alcance das necessárias responsabilidades.

A gestão ambiental deve ser tratada com seriedade e responsabilidade por todos nós, e devemos cobrar das autoridades públicas as mesmas responsabilidades, devendo estas tirar do papel e levar para a execução, fiscalizar e melhor gerenciar o uso e ocupação do solo.

Especificamente, com relação à cidade de Goiás, Patrimônio Cultural e Arquitetônico Mundial da humanidade, precisamos nos conscientizar do processo cíclico das enchentes. Nossos estudos sobre sistemas fluviais, em especial do Rio Vermelho, já nos mostrou que há a recorrência das cheias em intervalos de 10 anos, de 50 anos e 80 anos, alertando-nos com um poder crescente de destruição. Devemos, preventivamente, aprofundar nossos estudos acerca do comportamento fluvial e geológico do sistema da alta bacia do Rio Vermelho, subsidiando nas políticas públicas de gestão de uso e ocupação do solo do município para evitar que uma tragédia anunciada venha ocorrer.

Prof. PEDRO ALVES VIEIRA

Doutorando em Ciências ambientais- CIAMB/ LAPIG/UFG.









 

 

 

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