Lapig desenvolve sensoriamento remoto avançado com Veículos Aéreos Não Tripulados

 O Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) vinculado ao Instituto de Estudos Socioambientais (Iesa), da Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do programa Pro-Vant, vem realizando, desde 2008 e sob a liderança do professor Dr. Manuel Eduardo Ferreira, pesquisas e capacitações com os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs). Neste primeiro semestre de 2017, um dos destaques foi a campanha de campo realizada em parceria com o WWF-Brasil e a Universidade da Flórida (EUA), com apoio do ICMBio, Instituto Federal de Goiás (IFG) e a Universidade Estadual de Goiás (UEG - campus Goiás), empregando diferentes sensores imageadores embarcados em VANTs (asa-fixa e multi-rotor): sensores ópticos padrão RGB, multiespectral e hiperespectral, capazes de captar a atividade fotossintética das plantas, e um sensor a laser - LiDAR, que registra a altimetria dos alvos, representando qualquer paisagem em 3D, com bastante exatidão. O principal objetivo desta campanha foi o de utilizar tais geotecnologias para conhecer melhor os padrões vegetacionais dos biomas cerrado (fisionomias savânicas) e amazônia (fisionomias florestais), bem como aprimorar a metodologia de análises por meio de VANTs.

Nesse contexto, a primeira etapa da campanha foi realizada entre os dias 3 e 6 de julho na reserva extrativista Chico Mendes (gerenciada pelo ICMBio, localizada 200 km da capital Rio Branco - AC, em Brasiléia, junto à fronteira da Bolívia), com equipamentos da Universidade da Flórida e da UFG/Pro-Vant. Nos VANTs estavam acoplados, entre outros, o sensor LiDAR, o sensor hiperespectral e o multiespectral. Com a representação em 3D de partes da reserva Chico Mendes, junto com a análise espectral, vem sendo possível a "leitura" da floresta em termos de sua constituição estrutural, volumétrica, biomassa e saúde das árvores, favorecendo também a identificação das espécies da flora.

Como atividade paralela (no intervalo entre as atividades no Acre e em Goiás), o grupo Pro-Vant ofereceu o minicurso “Sensores Avançados Embarcados em Veículos Aéreos Não Tripulados”, nos dias 10 e 11 de julho, nas mediações do Lapig/UFG, campus Samambaia. O conteúdo do minicurso, voltado ao uso do sensor LiDAR, foi conduzido pelos professores Eben Broadbent e Angélica Zambrano, da Universidade da Flórida (EUA), cujos públicos-alvo eram discentes de graduação e pós-graduação, técnicos, analistas e docentes. Ainda como uma atividade do minicurso, no dia 12 de julho ocorreu uma atividade prática na região da Bacia Hidrográfica do Rio Vermelho (BHRV), próximo à cidade de Goiás, com todos os participantes. Nesta bacia já são realizadas pesquisas acadêmicas conduzidas pelo Lapig, com destaque às áreas de cerrado nativo e de pasto. Inclusive, a 2ª etapa desta campanha de campo foi conduzida na própria BHRV, com alguns dos pesquisadores que estiveram na primeira etapa (Acre), somando-se a outros integrantes da UFG, IFG e UEG, entre os dias 13 a 15 de julho de 2017.

Nos estados do Acre e de Goiás foram utilizados os mesmos instrumentos (sensores e VANTs) testados em paisagens de floresta e savana. Antes dos experimentos, alguns destes locais (parcelas de pesquisa) já haviam sido sobrevoados por um avião equipado com o sensor LiDAR, visando estabelecer as diferenças entre os mapeamentos realizados por avião e VANT, já que um dos objetivos do projeto é qualificar os VANTs como uma escala intermediária entre o avião e o campo, substituindo as metodologias tradicionais para medições dendrométricas (em geral, exaustivas, dependendo do tamanho da área). Com a metodologia dos VANTs a logística é mais simples, promissora no mapeamento e monitoramento desses ambientes, além de menos invasiva à natureza.

 

 

 

Texto: Joyce Rosa

Imagem: Divulgação

Fonte: Comunicação Institucional Lapig