Lapig lança plataforma com dados sobre desmatamento do Cerrado

Objetivo da Cerrado DPAT é fornecer informações confiáveis para a tomada de decisão e construção de políticas públicas de preservação ambiental

A ameaça de desinformação se torna a cada dia mais uma ameaça para a ciência e a vida em comunidade. Para enfrentar essa realidade o Cerrado brasileiro contará com um novo e importante parceiro para a sua preservação: a plataforma Cerrado DPAT (Deforestation Polygon Assessment Tool), que será lançada no dia 14 de outubro. A ferramenta criada pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig/UFG) apresenta de forma fácil, rápida e intuitiva os dados de desmatamentos para todo o bioma Cerrado, desde o ano 2000.


A plataforma, on-line e gratuita, permitirá a visualização dos dados sobre desmatamento e a superfície de susceptibilidade ao desmatamento nos 1.386 municípios brasileiros abarcados pelo bioma. Toda esta informação será fundamental para a gestão ambiental nos níveis federal, estadual e municipal. O projeto é resultado do Programa de Investimento Florestal (FIP) implementado em 2016 no Brasil no âmbito do Plano de Investimento Brasileiro, gerido pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird/Banco Mundial) e financiado pelo Fundo Estratégico do Clima. Gerenciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o projeto FIP Cerrado tem como uma de suas frentes a produção de dados de desmatamento no Cerrado.


O objetivo central da plataforma Cerrado DPAT se refere à oferta de uma base de dados com informações confiáveis para os gestores públicos. “Baseado nas informações disponibilizadas por meio desta plataforma será possível saber as regiões do bioma em condição de maior vulnerabilidade socioambiental”, exemplificou o coordenador da ferramenta e pró-reitor de Pós-Graduação da UFG, Laerte Guimarães. Além disto, a plataforma irá trazer informações essenciais quanto ao apontamento de regiões mais suscetíveis a futuros desmatamentos, alertando autoridades públicas.


Laerte Guimarães explica que além dos dados sobre os quase 2 milhões de polígonos de desmatamentos, disponibilizados por meio da plataforma, será possível saber detalhes sobre esse processo de degradação. “A Cerrado DAPT consegue determinar, por exemplo, qual a distância de um determinado ponto de desmatamento de uma unidade de conservação, território quilombola ou reserva indígena, bem como saber se este desmatamento aconteceu em área de proteção permanente ou reserva legal, em cada uma das 843.020 propriedades rurais existentes no bioma Cerrado”, ressaltou.


Além dos dados relacionados ao desmatamento, a Cerrado DAPT oferece acesso rápido a uma grande base de dados, como localização de frigoríficos e silos, malha viária atualizada, mapa de propriedades e imagens de satélite.
Por fim, o professor destacou que a UFG tem colaborado durante todos esses anos pela excelência em pesquisa e formação de recursos humanos. “A iniciativa FIP Cerrado envolveu vários bolsistas de graduação e pós-graduação fundamentais para o sucesso do projeto”, destacou.

Como funciona?

Na prática, a Cerrado DPAT realiza uma avaliação qualitativa dos dados Prodes (projeto do Inpe que realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal) e Deter (segundo o Inpe é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal), programas desenvolvidos no âmbito do Programa de Investimento Florestal Cerrado (FIP Cerrado), encabeçado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O professor explica que para cada polígono de desmatamento identificado, a equipe do Lapig realizou uma série de procedimentos, a partir de observações em campo e análises estatísticas, para determinar a qualidade do dado de desmatamento disponibilizado pela plataforma. “Assim, os usuários podem decidir visualizar ou recuperar todos os dados de desmatamento para um determinado município e para um determinado ano, ou acessar apenas os dados com um determinado nível de qualidade”, ressaltou.

Cerrado DPAT02

Cerrado DPAT01

 

Fonte: Secom/UFG